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DEBATE / CONFERÊNCIA no ANIVERSÁRIO DA CRUZ VERMELHA
No dia 8 de Maio de 2010, na sede da Delegação de Évora da CVP debateu-se a violência, nas suas diferentes facetas – seguindo sugestão da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho como forma de comemoração do Dia Internacional da Cruz Vermelha.
Estiveram presentes colaboradores, voluntários e elementos da comunidade eborense. Prestaram contributo directo para o debate/conferência a Procuradora do DIAP de Évora (Dra. Aurora Rodrigues) enquanto moderadora; a Comissário Carla Gomes Costa da Polícia de Segurança Pública – abordando o tema Bullying e o Papel das Forças de Segurança; o 2º Sargento da GNR Carlos Filipe Daniel – que falou sobre Violência Doméstica conjugal e sobre idosos; e, a Mestre Susana Margarida Gouveia – que expôs as respostas da Delegação de Évora da CVP para fazer face ou prevenir situações violências nas suas diversas acepções.
Campanha mundial Our world. Your move
O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho lançou em 8 de Maio de 2009 a Campanha mundial “O nosso mundo. A sua acção.” (“Our world. Your move.”) que constitui, essencialmente, um apelo global para agir face aos desafios humanitários dos nossos dias. Esta Campanha foi iniciada com a evocação dos 150 anos da batalha de Solferino, que foi a génese do Movimento da Cruz Vermelha e prolonga-se até ao ano 2011.
Com esta campanha pretende-se chamar a atenção para o valor da Humanidade e demonstrar que os principais desafios humanitários actuais devem ser uma preocupação de todos, nomeadamente: as consequências das alterações climáticas, as migrações e movimentos populacionais, as epidemias, as emergências de saúde pública, a violência urbana, a pobreza, a insegurança alimentar, os conflitos armados, a violação do Direito Internacional Humanitário, entre outros.
Sessão Inaugural
A Presidente da Delegação de Évora, no discurso de abertura do debate/conferência – Dr.ª Madalena Pereira – referiu que a violência é uma catástrofe global que afecta todos os continentes, países e comunidades, e constitui um dos maiores desafios que se deparam à humanidade. De acordo com dados da OMS (2008) morrem, diariamente, cerca de 4.200 pessoas devido a violência (1,6 milhões por ano), mais de 90% das quais em países de baixa e média renda. Cerca de 2.300 pessoas morrem por suicídio, 1.500 por violência inter-pessoal e 400 por diversas formas de violência colectiva.A violência, muitas vezes escondida, pode ocorrer em qualquer momento, em qualquer lugar e pode manifestar-se de diversas formas, física, psicológica, sexual ou por negligência. Independentemente da idade, sexo, condição e estatuto social, a violência pode degradar, diminuir ou negar a dignidade humana, o respeito, a saúde e a vida. É um fenómeno transversal que provoca graves consequências na economia e no desenvolvimento equilibrado e sustentável das comunidades.
Dada a complexidade do fenómeno a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, desenvolveu uma estratégia global para a violência para os próximos dez anos, 2010 – 2020, a qual poderá fornecer uma orientação, para a estratégia da Cruz Vermelha Portuguesa. Nessa estratégia poderão incluir-se diversas áreas da violência, entre as quais a toxicodependência, o suicídio, as crianças, os jovens, as mulheres, os homens, os migrantes, a violência urbana, etc.
A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho têm uma experiência muito rica em projectos de prevenção da violência, adaptados às diferentes realidades, considerando que a violência não é inevitável, pode ser prevenida, mitigada e respondida. Mas para isso, é necessário compreender as suas raízes e actuar de uma forma consistente, coordenada e integrada.
Sessão de Encerramento
Já no discurso de encerramento a Dr.ª Paula Nobre de Deus preferiu desenvolver a ideia de prevenção a partir daquilo que é a antítese da violência, mais concretamente, da importância da cultura da paz e da não-violência, para em seguida avançar para a prevenção e terminar com o que pode ser feito perante a inevitabilidade de fenómeno da violência nas nossas comunidades, onde ainda há um longo percurso a percorrer para que se concretize uma verdadeira "estratégia global face à violência".
“A associação da prevenção da violência, a uma cultura de educação para a não-violência, é um marco civilizacional. Em causa está o compromisso da sociedade com a defesa dos direitos humanos. Na certeza que é uma utopia civilizacional, a paz é uma condição para o desenvolvimento sustentável da humanidade.”
O debate/conferência terminou, assim, com um cartão vermelho a todas as formas de violência, de maus tratos e abusos sexuais, infligidos aos mais vulneráveis, e com uma palavra de esperança de que a inteligência humana permita que se concretize a utopia de uma cultura de não-violência.
Fotos aqui.

